segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pronúncia de nomes próprios estrangeiros




O Dicionário do Palavrão e termos afins, autor Mário Souto Maior, editora Record (1998),  é uma obra bem elaborada . Destaco  a seriedade com que o tema é tratado.
Prefácio de Gilberto Freyre: “...O autor do Dicionário evita a pornografia pela pornografia, embora não pretenda estrangular o que é erótico na língua portuguesa...Nada, porém, de sacrificar-se o trato do tema – sexo - em Literatura, ou em Arte ou em História ou em Ciência Social, a exigências de etiquetas em que se exprimem arbitrários tabus. Exigências que, através do moralismo de mal informadas censuras policiais, atinjam um Wilde, um Joyce ou um Lawrence ou um Gide”.
Na quarta capa Jorge Amado comenta a obra; Carlos Drummond de Andrade faz referências ao autor.
O dicionário nos remete de forma didática a termos regionais. São expressões existentes no cotidiano, integradas ao vernáculo.
O palavrão é considerado o bandido do filme da língua e das regras de comportamento. Nem por isso deixou de ser objeto de um dicionário. Parece mentira, não é ?
Vejamos estes nomes: Foucault , Kierkegaard-
Que horror! Os nomes acima são palavrões em língua estrangeira? –  dirá alguém.
-Não são palavrões, mas sim nomes de conceituados filósofos -  explicarei.
- Erra-se demais nesse tipo de pronúncia. Nesse caso, a pronúncia deveria ser grafada. Então, o que você acha ? – perguntar-me-á esse alguém.
- O leitor decodifica símbolos do sistema ortográfico; o ouvinte, símbolos do sistema fonológico. Nenhum leitor, ao ler um livro, jornal ou revista, terá visto, escrita, a pronúncia dos nomes próprios estrangeiros – esclarecerei.
“Foucault, pronuncia-se “Fucô” (acréscimo meu),  foi um pensador de muitas faces. Nós, de filosofia, gostamos de puxá-lo para nosso lado, mas ele teve forte impacto no Direito, na História, na Literatura” escreveu Renato Janine Ribeiro – professor titular de Ética e Filosofia Política na USP - num artigo publicado na Cult – Revista Brasileira de Cultura, edição número 81.
“Kierkegaard, pronuncia-se Quirquegárd ( acréscimo meu)),  foi o precursor do Existencialismo” definiu Lúcio Packter  (sem grafar a pronúncia, fica a dúvida)– filósofo clínico e criador da Filosofia Clínica – na revista Filosofia Ciência e Vida número 20.
Entretanto, queiram ou não, a questão de nomes próprios estrangeiros, sem a grafia,  continuará gerando dúvidas.
Foucault (Fucô),Kierkegaard (Quirquegárd), Hegel (Rêiguel), Nietzsche (Nitchi), Camus (Camí), Wittgenstein (Vitigueinstáin), Descartes (Decarte).São palavras estranhas, mas não são palavrões.
Não são passíveis de um dicionário, mas merecem a grafia da pronúncia . Merecem ou não? Claro que merecem!

4 comentários:

  1. Muito boa a postagem! Meu ajudou muito. Obrigado! :)

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  2. Obrigado,Aldo. A sua visita ao Blog é uma honra. Forte abraço!

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  3. Ai que tudo!
    Muito obrigada, mestre, pelo esclarecimento. Estava em dúvida como se pronunciava esse palavrão (entenda!) em dinamarquês Kierkegaard. Mas graças a você, entendi perfeitamente, além de ter aprendido a pronúncia correte de outras figuras que estarão muito presentes na minha vida acadêmica. Ps: Bacharel em Psicologia. Abração!

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