segunda-feira, 23 de julho de 2012

Lançamento: Ensaios da Tarde


O pintor greco-italiano Giorgio de Chirico talvez esteja entre os pouco que, em obras artísticas, souberam captar o pensamento de Nietzsche (pronuncia-se Nitche).

Remetendo a analogia para a pintura Flaming June, de Lord Frederick Leighton, feita em 1895, ouso afirmar que ele nas imagens, Mara Senna nos signos, souberam entender, incorporar e expressar um final de tarde em toda a sua amplitude.

Poemas da autora, versando sobre o final de tarde, conversam intimamente com a "Flaming June" da ilustração da capa. Uma escolha brilhante, por sinal. Mas esse diálogo se dá com um outro toque, outro talento, uma dose de múltipla sensibilidade.

Com um jeito manso e ardente de escrever, uma suavidade íntima incomum, a autora adquire um salvo-contudo para avançar pelo emocional do leitor, fazendo-o, a exemplo da jovem da capa, dirigir um olhar atento interiormente. E o faz com uma sutileza impecável.

No seu poema As Tardes, página 9, há um verso assim: ”...As tardes são dormentes...”. Esse verso dialoga com da ilustração da capa na qual aparece a figura feminina num estado de aparente dormência. O traje é da cor da tarde (poente). 

Chamaram-me a atenção alguns detalhes: na capa, a posição do pé direito da figura feminina, posição de quem vai dar um passo, partir. Representaria a tarde mergulhando num estado de dormência? Acredito que sim.

O último detalhe (claro, existem mais) é a cor do vestido da autora no dia do lançamento: vestiu-se, sem nenhum sotaque, com a cor do final de tarde. Lindíssimo o livro, a exemplo de um sol ardente de junho.

(Augusto Aguiar)


VENDAS À DISTÂNCIA
mara.senna06@gmail.com

Mara Lucia Senna Oliveira Vieira nasceu em 06 de maio de 1963 em Araxá, Minas Gerais. Vive em Ribeirão Preto, São Paulo, desde 1980. É graduada em Odontologia e Mestre em Periodontia pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – USP.  Exerceu a clínica odontológica por vinte e cinco anos e a docência universitária por quinze anos.
Foi poeta de gaveta até 2009 quando publicou seu primeiro livro, Luas Novas e Antigas.
A partir de então, passou a se dedicar mais intensamente à literatura, em especial à poesia. Participou das antologias poéticas: Frutos da Terra – Expressões Culturais de Ribeirão Preto(2009), Ave, Palavra(2009)10º. Concurso de Poesias da Universidade Federal de São João Del-Rei MG (2010)Prêmio SESC de Poesia Carlos Drummond de Andrade – edições  2009, 2010 e 2011. Recebeu as seguintes premiações: primeiro lugar no I Concurso Literário de Crônicas da Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto – ALARP (2009), terceiro lugar no II Concurso de Crônicas da ALARP (2010) e Menção Honrosa no Concurso Nacional de Poesias Helena Kolody (2010), no Paraná.
Seu segundo livro de poemas, Ensaios da Tarde, foi publicado recentemente (maio de 2012).
É filiada à União Brasileira dos Escritores (UBE).
(Dados biográficos: Clube de Regatas Ribeirão Preto)






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