sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Poesia: A prece Lírica

Os momentos poéticos são deliciosos estímulos líricos. Vejamos, então, alguns deles:
A cantiga de ninar  é  um mantra universal. O beija-flor sugando o néctar das flores: poesia em estado puro. A emoção do retorno definitivo dá-se num cenário poético. Como se sabe, cada retorno verseja a falência da ausência.
A leveza de uma folha, essa expansão laminar, é  um poema da natureza. A  sua haste de sustentação, pendurada na planta, mostra a sua bainha, esse suporte de invaginação, vedando, tal qual um hímen flácido e complacente, a queda da folha no chão.
A poesia dos beijos de um casal. Os seus beijos se esfregam e se limpam de todas as carências, de todos os pudores e de todas as pendências. Beijos levados, ousados, indisciplinados: cada vez mais mal comportados. Fascinante o malabarismo dos lábios, essas margens da boca.
Ou então, uma declaração poetizada, mas com um quê de prosa. Escrevi esta, vamos lê-la:
“O teu resumo é enorme para um poema. A rima, sonoridade parente das palavras, soa tímida diante da tua figura linda.  Ao caminhar pelos degraus dos teus desejos, roteiros de afetos,  levo em minhas mãos os desejos dos teus desejos.
O verso, ritmo do poema,  não acompanha o ritmo dos teus suspiros, quando te guardo no meu abraço e me abraça no núcleo de todos os teus apertos”.
A sensação é de uma prece lírica. É por isso que a crônica chama-se: “Poesia: A Prece Lírica”.
Quem habita por mais tempo em  um poeta: a poesia ou o cotidiano estreito?
A poesia em tempo integral,  claro. O poeta nunca deixa a placenta da poesia, tampouco diante das adversidades do cotidiano. Uma chuva ,por exemplo,  incômoda para alguns, é poética para ele. Leiam este poema:
OS PINGOS DA CHUVA
Os pingos da chuva, ousados, travessos,
balançam no fio, virados do avesso.
Luxuosa simplicidade: relâmpagos são lasers,
venta música e os pingos da chuva,
acróbatas indomáveis, dançarinos incansáveis,
dançam gostoso embaixo do fio.
No ocaso da dança, os pingos gaiatos respingam em:
Pálpebras
Lábios
Bustos
Braços
Mãos
Coxas                                 
 Pés...
e encerram o ato.
(Augusto Aguiar)
augusto-52@uol.com.br

Crédito da imagem: http://silviamota.ning.com
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Um comentário:

  1. Escreve como quem respira, inala e exala poesia...

    Um beijo

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